Você apaga a luz, deita e, como se alguém apertasse um botão, a mente começa a trabalhar. As conversas do dia, as contas do mês, o e-mail que ficou sem resposta, aquele exame que você ainda não marcou. O relógio avança, e a preocupação passa a ser também: “se eu não dormir agora, amanhã vai ser horrível”.

Por que a ansiedade atrapalha o sono

Para adormecer, o corpo precisa reduzir o estado de alerta. A ansiedade faz o contrário: mantém o sistema nervoso preparado para reagir a ameaças. Durante o dia, as tarefas ocupam a atenção. À noite, sem distrações, as preocupações ganham espaço.

Com o tempo, a própria cama vira um gatilho. O cérebro aprende a associar o quarto à frustração de não dormir, e a ansiedade começa antes mesmo de deitar.

O ciclo insônia e ansiedade

  1. Você se preocupa e demora a dormir.
  2. Dorme mal e acorda cansado.
  3. O cansaço reduz a tolerância ao estresse, e a ansiedade aumenta durante o dia.
  4. À noite, além das preocupações de sempre, surge o medo de não dormir de novo.
Tentar dormir à força é como tentar relaxar sob pressão: quanto mais esforço, mais distante fica.

O que a TCC propõe para a insônia

A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é uma das abordagens mais estudadas para insônia crônica. Alguns dos seus princípios:

  • Controle de estímulos: usar a cama apenas para dormir e para a vida sexual. Se não dormir em cerca de 20 minutos, levantar, ir para outro cômodo com luz baixa e voltar quando sentir sono.
  • Horário fixo para acordar, inclusive nos fins de semana, para regular o relógio biológico.
  • Reestruturação de pensamentos sobre o sono, como “se eu não dormir 8 horas, meu dia está perdido”.
  • Técnicas de relaxamento, como respiração lenta e relaxamento muscular progressivo.
  • Ajustes de rotina: luz, telas, cafeína, álcool e atividade física.

Algumas dessas técnicas, como a restrição de tempo na cama, devem ser feitas com orientação profissional.

Técnica prática: a “hora da preocupação”

Reserve 15 minutos no fim da tarde, longe da cama, para escrever tudo o que está te preocupando. Para cada item, anote: “isso depende de mim? Se sim, qual é o próximo passo?”. Feche o caderno. Se à noite a preocupação voltar, lembre-se: “isso já tem lugar e horário; amanhã eu volto nele”.

Hábitos que ajudam

  • evitar cafeína depois do meio da tarde;
  • reduzir telas e luz forte na última hora antes de dormir;
  • não usar álcool como indutor de sono, pois ele fragmenta o descanso;
  • expor-se à luz natural pela manhã;
  • praticar atividade física, de preferência longe da hora de deitar.

Quando procurar ajuda

Se a dificuldade para dormir acontece três ou mais noites por semana, há mais de um mês, e afeta seu dia, procure avaliação. Ronco intenso, pausas na respiração ou sonolência extrema durante o dia pedem também avaliação médica. Para entender como a terapia trabalha a ansiedade, veja a página de psicólogo para ansiedade em Ribeirão Preto.

Se você está em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, ligue agora para o CVV, no 188 (24 horas, gratuito, também por chat em cvv.org.br), ou para o SAMU, no 192. Você não precisa passar por isso sozinho.

Valdir Leite Machado Junior

Psicólogo clínico (CRP 06/139689), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Saúde Pública. Atende em Ribeirão Preto e online, com foco em saúde mental masculina, ansiedade e depressão. Conheça a trajetória.