Quem atende homens no consultório escuta com frequência a mesma frase na primeira sessão: “eu deveria ter vindo antes”. Ela costuma vir depois de meses, às vezes anos, tentando dar conta sozinho de algo que pesava cada vez mais.
Entender por que essa demora acontece ajuda a quebrá-la. Abaixo estão as barreiras mais comuns, e o que a experiência clínica mostra sobre cada uma.
As barreiras mais comuns
1. “Pedir ajuda é sinal de fraqueza”
É a crença mais antiga e mais forte. Desde cedo, muitos meninos aprendem que demonstrar medo ou tristeza é motivo de piada. Na vida adulta, isso vira um código silencioso: o homem resolve, protege, provê, e não reclama.
O problema é que emoção não some quando é ignorada. Ela muda de forma: vira irritação, insônia, dor nas costas, excesso de trabalho, distância dos filhos.
2. “Não tenho tempo”
Para quem trabalha muito, uma hora por semana parece um luxo. Mas vale fazer a conta inversa: quanto tempo e energia a ansiedade, a irritação ou o cansaço já estão consumindo? Hoje, a terapia online também reduz o deslocamento e cabe melhor em rotinas apertadas.
3. “Não sei o que falar”
Muitos homens imaginam que terapia é deitar num divã e falar sem parar sobre sentimentos. Na prática, especialmente na Terapia Cognitivo-Comportamental, a conversa é guiada. O psicólogo faz perguntas, ajuda a organizar o que está confuso e propõe objetivos concretos. Você não precisa chegar com nada pronto.
4. “Meu problema não é tão grave”
Terapia não é só para crises. Ela também serve para entender padrões que se repetem: as mesmas discussões, a mesma procrastinação, a mesma sensação de vazio no domingo à noite. Quanto antes, mais leve costuma ser o trabalho.
5. “E se alguém souber?”
O sigilo é um dever ético do psicólogo, previsto no Código de Ética Profissional. Nada do que é dito em sessão é compartilhado com empresa, família ou qualquer outra pessoa, salvo nas raras situações previstas em lei para proteger a vida.
Força não é nunca precisar de ajuda. Força é saber quando usá-la.
O que costuma mudar quando o homem começa
Cada processo é único, e não existe promessa de resultado em psicoterapia. Mas alguns movimentos aparecem com frequência ao longo do acompanhamento:
- nomear o que sente: perceber que a irritação era, na verdade, medo ou cansaço;
- separar o que dá para controlar do que não dá, e parar de gastar energia com o segundo;
- conversar melhor com a parceira ou o parceiro, os filhos e a equipe de trabalho;
- dormir e descansar sem culpa;
- tomar decisões com mais clareza, sem o peso de “ter que acertar sempre”.
Como dar o primeiro passo
O primeiro passo pode ser pequeno: uma mensagem dizendo “gostaria de entender como funciona”. A partir daí, a primeira sessão serve para conhecer sua história e decidir, juntos, se e como seguir.
Se você se reconheceu em alguma dessas barreiras, saiba que ela é comum, e que não precisa decidir sozinho o que fazer com ela. Conheça a página de psicólogo para homens em Ribeirão Preto para entender como é o acompanhamento.
Se você está em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, ligue agora para o CVV, no 188 (24 horas, gratuito, também por chat em cvv.org.br), ou para o SAMU, no 192. Você não precisa passar por isso sozinho.



