Quando um filho nasce, a rede de cuidado se volta, com razão, para a mãe e o bebê. O pai, muitas vezes, é visto como apoio: aquele que precisa estar firme para sustentar a família. O que pouca gente pergunta é: e ele, como está?

O que muda na vida do pai

A paternidade traz mudanças profundas, e nem todas são fáceis de admitir:

  • privação de sono, que afeta humor, paciência e concentração;
  • pressão financeira, com a sensação de que agora não pode falhar;
  • mudança na relação do casal, com menos tempo, intimidade e conversa;
  • sentimento de exclusão, quando o vínculo mãe e bebê parece não ter espaço para ele;
  • reencontro com a própria história: como foi o seu pai, o que você quer repetir e o que não quer.

Depressão paterna existe

Estudos internacionais indicam que uma parcela dos pais apresenta sintomas depressivos no primeiro ano de vida do filho, e que o risco aumenta quando a mãe também está deprimida. Nos homens, esses sintomas tendem a aparecer de forma menos óbvia: irritação, afastamento, mais horas no trabalho, mais tempo no celular, uso maior de álcool.

Muitos pais sentem culpa por não estarem “felizes como deveriam”. Essa culpa faz com que escondam o que sentem, e o silêncio piora o quadro.

Cuidar de si não é tirar tempo da família. É garantir que a família tenha um pai inteiro.

Sinais de alerta

  • irritação frequente com o bebê, a parceira ou o parceiro;
  • sensação de distância ou de não se conectar com o filho;
  • vontade de fugir de casa, ficar mais tempo no trabalho ou na rua;
  • desânimo, falta de energia que vai além do cansaço do sono;
  • ansiedade intensa com dinheiro, saúde do bebê ou o futuro;
  • pensamentos de que a família estaria melhor sem você.

Se o último sinal estiver presente, procure ajuda imediatamente pelo CVV (188).

O que ajuda

  1. Participe do cuidado direto. Banho, troca de fralda, colo. O vínculo se constrói no fazer, e isso também reduz a sensação de exclusão.
  2. Converse com quem divide a criação. Dizer “estou cansado e assustado” aproxima mais do que fingir que está tudo bem.
  3. Revezem o sono sempre que possível, com turnos combinados.
  4. Mantenha uma âncora pessoal: um treino, uma conversa com um amigo, meia hora de algo que é seu.
  5. Procure outros pais. Ouvir que não é só com você alivia.

Quando procurar terapia

Se os sintomas duram mais de duas semanas, atrapalham o dia a dia ou a relação com o bebê, a terapia pode ajudar a atravessar essa fase com mais clareza. A Terapia Cognitivo-Comportamental trabalha expectativas, culpa, ansiedade e a organização da rotina. O atendimento pode ser online, o que facilita para quem tem um recém-nascido em casa.

Saiba mais sobre o acompanhamento de saúde mental masculina em Ribeirão Preto.

Se você está em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, ligue agora para o CVV, no 188 (24 horas, gratuito, também por chat em cvv.org.br), ou para o SAMU, no 192. Você não precisa passar por isso sozinho.

Valdir Leite Machado Junior

Psicólogo clínico (CRP 06/139689), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Saúde Pública. Atende em Ribeirão Preto e online, com foco em saúde mental masculina, ansiedade e depressão. Conheça a trajetória.