Quando se fala em depressão, a imagem mais comum é a de alguém triste, chorando, sem sair da cama. Isso acontece, mas não é a única forma. Em muitos homens, a depressão se apresenta de um jeito que nem eles, nem quem está por perto, reconhecem como depressão.

Esse “disfarce” é um dos motivos pelos quais a depressão masculina é menos identificada e tratada mais tarde. Conhecer os sinais é um passo importante para não deixar o sofrimento se arrastar.

O que é depressão

A depressão é um transtorno de humor caracterizado por tristeza persistente ou perda de interesse e prazer nas atividades, acompanhados de alterações no sono, no apetite, na energia, na concentração e na autoestima, por pelo menos duas semanas e com impacto na vida da pessoa. Segundo a OMS, é uma das principais causas de incapacidade no mundo, e tem tratamento.

Sinais que nem sempre parecem depressão

  • Irritabilidade e pavio curto: perder a paciência com facilidade, discutir mais, explodir por pouco.
  • Raiva ou agressividade: uma raiva difusa, “contra tudo”, que não tem um alvo claro.
  • Excesso de trabalho: mergulhar no trabalho para não pensar, ou não conseguir desligar.
  • Uso de álcool ou outras substâncias para relaxar, dormir ou “aguentar”.
  • Comportamentos de risco: dirigir de forma imprudente, apostar, gastar sem controle.
  • Sintomas físicos: dores de cabeça, nas costas, problemas digestivos, cansaço sem explicação médica.
  • Isolamento: se afastar de amigos, evitar encontros, passar horas no celular ou na TV.
  • Queda da libido e desinteresse geral.

Por que nos homens é diferente?

Não é que a depressão seja outra doença. É que a forma de expressar o sofrimento é aprendida. Se a tristeza foi desencorajada desde cedo, ela tende a sair por outros canais, mais aceitos socialmente, como a raiva ou o trabalho.

Além disso, muitos homens não têm um vocabulário emocional treinado. Dizem “estou estressado” quando, na verdade, estão sem esperança. Dizem “estou cansado” quando nada mais faz sentido.

A depressão masculina muitas vezes não pede ajuda. Ela pede espaço, silêncio e distância. Por isso precisa ser notada.

Tristeza ou depressão?

Diferenças gerais (não substituem avaliação profissional)
AspectoTristeza comumDepressão
DuraçãoDias, ligada a um fatoSemanas ou meses, mesmo sem motivo claro
PrazerAinda há momentos bonsPouco ou nenhum interesse no que antes agradava
RotinaSegue com algum esforçoTrabalho, sono e relações ficam prejudicados
AutoimagemPreservadaCulpa excessiva, sensação de inutilidade

Como a terapia ajuda

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, o tratamento da depressão costuma combinar duas frentes. A ativação comportamental ajuda a retomar, aos poucos, atividades que trazem sentido e prazer, quebrando o ciclo de inatividade. A reestruturação cognitiva trabalha os pensamentos automáticos negativos (“sou um fracasso”, “nada vai mudar”) que mantêm o quadro.

Em alguns casos, o psicólogo pode indicar também uma avaliação psiquiátrica, para considerar o uso de medicação. Os dois acompanhamentos são complementares. Entenda melhor na página sobre tratamento psicológico para depressão em Ribeirão Preto.

Quando procurar ajuda

Se você reconheceu vários desses sinais em você, ou em alguém próximo, por mais de duas semanas, vale procurar uma avaliação. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, procure ajuda imediatamente: CVV no 188 ou SAMU no 192.

Se você está em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, ligue agora para o CVV, no 188 (24 horas, gratuito, também por chat em cvv.org.br), ou para o SAMU, no 192. Você não precisa passar por isso sozinho.

Valdir Leite Machado Junior

Psicólogo clínico (CRP 06/139689), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Saúde Pública. Atende em Ribeirão Preto e online, com foco em saúde mental masculina, ansiedade e depressão. Conheça a trajetória.