O burnout raramente começa com uma crise. Ele se instala aos poucos: uma semana mais pesada, depois um mês, depois um ano inteiro sem respirar. Quando o homem percebe, o cansaço já virou o estado normal, e a irritação, o seu jeito de ser.

O que é burnout

Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é um fenômeno ligado ao trabalho, resultante de estresse crônico no ambiente profissional que não foi gerenciado com sucesso. A OMS o descreve em três dimensões: sensação de exaustão, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.

Sinais mais comuns

  • Exaustão que não passa com o fim de semana ou com as férias;
  • cinismo: ver o trabalho com raiva, desprezo ou indiferença;
  • queda de desempenho: esquecer tarefas, demorar mais, errar mais;
  • dificuldade de concentração e de tomar decisões;
  • dores de cabeça, tensão muscular, problemas gastrointestinais;
  • insônia ou sono agitado, pensando no trabalho;
  • afastamento da família e dos amigos;
  • uso maior de álcool, cafeína ou outras substâncias para “funcionar”.

Por que os homens percebem tarde

Para muitos homens, o trabalho é a principal fonte de identidade e de valor pessoal. Admitir esgotamento parece admitir fracasso. Por isso, o caminho mais comum é trabalhar ainda mais, o que agrava o quadro.

Também é frequente confundir burnout com “fase ruim” ou com cansaço físico. O homem procura o médico por causa da dor nas costas ou da gastrite, mas não fala da pressão que está vivendo.

Descanso não é prêmio por ter terminado tudo. É condição para continuar.

Cansaço, estresse ou burnout?

Comparação geral
AspectoEstresseBurnout
EnergiaExcesso de urgência e agitaçãoEsvaziamento, sensação de não ter mais nada para dar
EmoçõesHiperativas, ansiosasEmbotadas, cínicas, indiferentes
DescansoAliviaNão recupera
SentidoAinda há motivaçãoPerda de sentido no trabalho

Como a terapia ajuda

O acompanhamento psicológico do burnout costuma envolver:

  • mapear os fatores que sustentam a sobrecarga (volume, falta de controle, conflitos, valores);
  • revisar crenças ligadas à produtividade e à autoexigência;
  • construir limites possíveis, inclusive no uso do celular fora do expediente;
  • retomar fontes de recuperação: sono, movimento, convívio, lazer;
  • quando necessário, apoiar decisões sobre afastamento, mudança de função ou de carreira.

Em alguns casos é importante uma avaliação médica em paralelo, especialmente quando há sintomas físicos intensos ou sinais de depressão. Veja como funciona o acompanhamento para burnout.

Um primeiro passo hoje

Escolha um limite pequeno para esta semana: não responder mensagens de trabalho depois de um horário, almoçar longe da mesa, sair no horário um dia. Observe o que acontece com o seu corpo e com a sua culpa. Se a culpa for maior que o alívio, isso também é um dado importante para levar para a terapia.

Se você está em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, ligue agora para o CVV, no 188 (24 horas, gratuito, também por chat em cvv.org.br), ou para o SAMU, no 192. Você não precisa passar por isso sozinho.

Valdir Leite Machado Junior

Psicólogo clínico (CRP 06/139689), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Saúde Pública. Atende em Ribeirão Preto e online, com foco em saúde mental masculina, ansiedade e depressão. Conheça a trajetória.